Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

TOLERÂNCIA DE PONTO vs INTOLERÂNCIA DE PONTA

por bolinando, em 26.12.16

A decisão do governo de conceder tolerância de ponto nesta segunda-feira, dia 26 de Dezembro, levantou de imediato um coro de protestos por parte das habituais figuras e figurões da caranguejola.

Em primeiro lugar há que esclarecer que esta prática é comum em muitos países da Europa, da mesma Europa que não hesitam em apontar como exemplo... mas só quando lhes dá jeito. Por exemplo aqui ao lado, em Espanha, quando um feriado calha num fim-de-semana, passa a ser gozado na segunda-feira seguinte. E nem o conservador Rajoy alguma vez se atreveu a pôr isto em causa. E em Portugal foi preciso chegar o gauleiter ultraliberal Coelho y sus monos adiestraos para desatar a cortar tolerâncias de ponto, eliminar feriados e mais trinta por uma linha. Os resultados práticos dessas medidas nunca se deram ao trabalho de revelar, talvez com medo da exposição ao ridículo.

De definitivo apenas ficámos a saber que assim como há quem desenvolva intolerância ao glúten, tinha-nos calhado na rifa um primeiro-ministro (hoje lider da oposição... ou nem por isso) que desenvolveu intolerância aos funcionários públicos.

Felizmente o actual governo decidiu revogar a eliminação de feriados e conceder algumas tolerâncias de ponto. Em boa hora o fez, e por várias razões.

Vejamos, em primeiro lugar, em que é que esta tolerância de ponto na realidade afecta e quem dela goza, no universo da função pública.

Comecemos pelas escolas, as quais vivem um momento de interrupção lectiva e onde esta tolerância não vai afectar, senão residualmente os cidadãos. Também na saúde todas as urgências vão funcionar como funcionariam em pleno num fim-de-semana e apenas as eventuais consultas e cirurgias não de urgência marcadas para hoje seriam afectadas. Mas será que seriam em número significativo? As informações que tenho dizem-me que não. Quanto aos tribunais, estão, desde dia 22 em férias judiciais, com tudo o que isso implica. Nas Forças Armadas os quartéis não fecham e mantém os graus de prontidão definidos superiormente, com o mesmo pessoal de serviço e apenas menos pessoal a asilar e a comer. As forças de segurança, sobretudo as que têm competências na regulação do trânsito mantém em serviço mais pessoal que o habitual, em função das habituais operações de Natal e Ano Novo. O SEF não vai desguarnecer nenhum posto fronteiriço, os Sapadores Bombeiros manterão o pessoal de serviço necessário... e por aí adiante.

Apenas nalguns serviços de atendimento público se irá fazer sentir esta tolerância de ponto, em virtude de se encontrarem encerrados. Mas será que haveria muita procura por parte de utentes num dia como hoje? Não acredito

E se não houvesse tolerância de ponto qual seria a produtividade média num dia como o de hoje, com previsível pouca procura e inevitável escassa motivação dos funcionários? Muito pouca, presumo.

A não ter sido concedida tolerância de ponto teríamos hoje grandes taxas de absentismo e, realidade que os defensores das medidas do anterior governo teimam em não ver, indices de presentismo avassaladores.

Aliás, o governo, ao mesmo tempo que teve um gesto simpático e indutor de motivação para com os funcionários públicos, se calhar ainda poupa "alguns tostões", se tivermos em atenção o que não vai pagar em subsídios de refeição, em electricidade, água, gás e comunicações nos serviços que hoje estão encerrados.

A "oposição" também sabe disto, mas não lhe interessa. Na realidade o que está na raiz da sua posição não é um argumento económico mas sim uma posição ideológica de princípio contra a função pública em geral. A única coisa que estranho é que ainda haja funcionários públicos a votarem nessa gente. Mas o êxito das "50 Sombras de Grey" só veio revelar que há por aí muito mais potenciais masoquistas do que o que seria normal pensarmos.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D