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Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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A MEMOPAUSA DE ASSUNÇÃO CRISTAS

por bolinando, em 27.10.17

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O diagnóstico parece inevitável. Depois de lançar acusações sobre tudo e todos no que diz respeito aos incêndios, esquecendo que foi ela que liberalizou a plantação de eucaliptos (espécie que segundo ela estava a ser descriminada), agora vem acusar a Câmara de Lisboa de não proteger as lojas históricas, esquecendo-se de que foi ela que, em 2012, aprovou a Lei das Rendas que tantos despejos provocou em lojas históricas. E muitos mais "lapsos" de memória tem sofrido esta senhora desde que deixou de ser governante e passou a governanta da oposição.

Está visto que, com tantas pausas na memória, Assunção Cristas só pode ter entrado na Memopausa!

OS HERÓIS DA MINHA INFÂNCIA - OS CINCO

por bolinando, em 03.01.17

Resultado de imagem para os cinco

 

Entre os heróis da minha infância não podiam faltar "Os Cinco" da irritantemente britânica Enid Blyton. 

Em miúdo devorei a colecção inteira. Eram livros ideais para as férias, para serem lidos nas tardes quentes às horas em que não se podia estar na praia.

Associo sempre estes livros a camas de rede, esticadas entre pinheiros, pois era aí que mais gostava de os ler.

Depois ia com os meus potenciais Tims, os cães da quinta de Almoçageme, recrear as aventuras.

Bem, mas ao contrário dos anteriores heróis, estes não ganharam imortalidade. Por um lado porque não passaram no teste da recriação em série de TV. Por outro lado porque fui percebendo que eram irritantemente britânicos, ou não fossem criaturas cuja criadora o era igualmente. 

Não tardou muito até ficar enjoado de chá, scones e Scotland Yards.

E as personagens centrais não resistiram à erosão do tempo e imagino-os hoje, meio século mais tarde, com percursos de vida muito pouco "heróicos" e condizentes com as respectivas idiossincrasias.

O Tim, imagino-o a morrer de velhice, posto caridosamente a dormir por um veterinário consciente, que nisto de animais os britânicos não são dos piores.

A irritante Ana, imagino-a a enveredar por uma brilhante carreira política conservadora nos Tories, como deputada no seu círculo eleitoral, carreira essa que partilha com a criação dos seus 4 filhos e a colaboração regular com uma revista do tipo "Crónica Feminina" para onde escreve receitas de scones e afins. Mais recentemente sobressaiu na campanha pelo Brexit, "para salvar o que resta do Império, desses bárbaros que bebem café em vez de chá"! É ferozmente anglicana e o toque do seu telemóvel é o "Rule Britania". Usa invariavelmente chapéus do género da rainha Isabel e da Gertrudes Tomás.

O David, sempre complexado pelas comparações que faziam entre ele e o seu brilhante "e atinadinho" irmão mais velho, muito cedo entrou numa espiral de autodestruição que começou pelo álcool e o levou até às drogas duras. A última vez que foi visto foi no bairro de Brixton a vender crack. Pelo meio teve um caso com uma freak caribenha, o que foi a gota de água que fez com que a sua irmã Ana nunca mais o quisesse ver. 

A Zé saiu do armário e assumiu a sua homossexualidade que já se adivinhava nos livros.

Chegou a dirigente do movimento lésbico local e enveredou por uma carreira de produtora de espectáculos e agente de artistas, como Beth Ditto. Representa as Pussy Riot em Londres o que lhe valeu o epíteto de "Filha do Putin".

O Julio enveredou por uma carreira na alta finança, na City. Trabalhou (e ganhou muito em negócios) com o Lehman Brothers e actualmente com a Goldman Sachs (onde supervisiona directamente um amanuense que dá pelo nome de Durão Barroso). Dos irmãos apenas se dá com a Ana, cujos cargos políticos já lhe abriram muitas portas na alta finança, e recusa-se a falar sequer dos outros dois, o drógado e a sapatona, como lhes chama (Atenção que ele chama Sapatona à Zé por esta ter levado a Londres uma exposição da Joana Vasconcelos onde sobressaia "o sapatão"). Não perde uma corrida de cavalos em Ascot nem um torneio de Wimbledon, apesar de não saber bem a diferença entre um cavalo e uma bola de ténis, mesmo após os seus pares do Gentleman's Club já lhe terem dito que a bola de ténis é a que não tem orelhas.

Entretanto o tio Alberto foi preso pelo MI5, acusado de vender segredos científicos à Coreia do Norte, apesar de sempre ter negado essa acusação e ter argumentado que eram apenas as receitas dos scones da mulher e do cordeiro cozido.

Já a tia Clara, após a prisão do marido, para sobreviver viu-se na contingência de abrir um bordel de luxo na sua mansão, que ficou célebre não pelos seus scones mas pelas suas artes de Dominatrix. 

Enfim, acabo de reparar que afinal "Os Cinco" não animaram só a minha infância, pois ainda hoje me animam... de outra maneira.

 

OS HERÓIS DA MINHA INFÂNCIA - O TIGRE DA MALÁSIA

por bolinando, em 30.12.16

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Outro herói que povoou os sonhos da minha infância foi Sandokan, o Tigre da Malásia, a personagem criada pelo italiano Emilio Salgari.

Se o major Alvega quase me decidiu a ir para a Força Aérea, já Sandokan me convenceu em definitivo a ir para a Marinha, inspirado nas aventuras marítimas no Oceano Indico e com os desembarques nas selvas repletas de perigos, com tigres, serpentes e sikhs, tudo ao molho (Na altura nem imaginava que isso era missão para fuzileiros, e quando o fui, o Sandokan já não era bem o meu ídolo, apesar de no curso de oficiais fuzileiros ter tido um cabo instrutor apelidado de Sandokan, mas que acho que não era o mesmo, pois era alentejano e não de Mompracém).

As aventuras de Sandokan propriamente ditas julgo que não compreendiam mais que 11 volumes mas li tantos que julgo que os deva ter lido por mais de 3 ou 4 vezes, sobretudo naquelas saudáveis e saudosas férias grandes que duravam de 9 de Junho a 6 de Outubro. E enquanto Alvega arrasava com alemães, já Sandokan tinha como principais inimigos os imperialistas ingleses e a sua odiosa Companhia das Índias. 

Penso até que, tal como Alvega ajudou a moldar a minha consciência anti-fascista, Sandokan ajudo-me a não gostar dos imperialismos, sobretudo quando em conflito com os meus heróis.

Claro que a  minha adesão ao Sandokan também foi muito impulsionada pelo facto de ele ter um amigo inseparável, alegadamente português. E digo alegadamente porque Emilio Salgari nem se deu ao trabalho de baptizar com um  nome português esse "parceiro" do Tigre da Malásia. Chamou-lhe, vejam lá, Yanez de Gomera! Como se algum português se chamasse assim. Mas até isso lhe desculpei, de tal forma estava embevecido com as aventuras exóticas do herói principal e do seu companheiro, putativamente meu compatriota. 

E claro, havia a Marianne, por quem Sandokan  estava apaixonado. E que ainda por cima era orfã. Acho que isso contribuiu muito para que a minha primeira namorada, por volta dos meus 7 ou 8 anos, se chamasse Mariana. Percebo hoje que não era por ela que eu estava "apaixonado", mas sim pelos livros do Sandokan.

Tal como com Alvega, eu estava firmemente convencido da imortalidade de Sandokan. E tal como com Alvega, essa convicção ficou comprovada por também ele ter sobrevivido a uma série televisiva em que o herói de Salgari foi muito maltratado, pelo menos aos meus olhos. 

E, cá para nós, acho que foi em Sandokan que Mao Tse-Tung se inspirou quando postulou que "os imperialistas são tigres de papel!" O ganda manganão também lia o Tigre da Malásia!

 

 

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