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Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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TRUMP A ESTICAR-SE

por bolinando, em 26.02.17

A recente medida de Trump de barrar a entrada na roda de imprensa diária da Casa Branca a jornalistas de orgãos de comunicação que têm criticado abertamente a acção presidencial de Trump pode por alguns ser considerada apenas como mais uma bizarria de uma administração manifestamente desajustada do cargo que ocupa, ou mais uma birra de um menino mimado que não está habituado a ser contrariado e que, sem saber ler nem escrever se viu elevado a Presidente dos EUA.

Infelizmente é muito mais que isso.

Os EUA, goste-se ou não, são das mais antigas democracias do mundo e a que mais inspirou outros povos e nações a baterem-se por esse regime. E convém relembrar que, sobretudo no século passado, quando as democracias estiveram em risco na Europa foram os EUA que, tardiamente, é certo, e com muitos interesses comerciais à mistura, acorreram em seu auxílio.

Ora um dos bastiões da democracia nos EUA sempre foi a liberdade de expressão, não apenas individual, mas também colectiva, através do respeito pela liberdade e tratamento igualitário dos meios de comunicação e dos seus profissionais.

E os principiais órgãos de comunicação sempre cumpriram com grande profissionalismo e sentido ético a sua função de manter a opinião pública americana (e não só) correctamente informada. 

Cobriram, sem qualquer censura, as condições do corpo expedicionário americano na 1ª Guerra, muito contribuindo para o fim da bacoca guerra de trincheiras, tal como cobriram a participação dos GIs americanos na segunda guerra, quer na Europa, quer no Pacífico, e foram os primeiros a divulgar as horripilantes imagens e a tenebrosa realidade do Holocausto perpetrado pelo regime nazi.

Estiveram também na cobertura, verdadeira e muitas vezes arriscada, da guerra do Vietnam, muito contribuindo para que o "Home front" se rebelasse contra uma guerra sem qualquer sentido para o povo americano e que matava os seus filhos aos milhares.

E foi ainda o jornalismo de investigação que revelou tramas e conspirações que punham em causa a verdadeira essência da democracia nos EUA, como foi o caso Watergate, provocando até a queda de um presidente, Nixon.

E foram também esses media que trouxeram até nós a Guerra do Golfo, os seus desenvolvimentos e a realidade da inexistência de armas de destruição massiva.

E apesar de tudo isto, nunca nenhuma administração americana se tinha atrevido a barrar os jornalistas e a vedar-lhes o direito de informarem, muito menos discriminando entre órgãos "favoráveis" e "desfavoráveis" à Administração.

E foi este passo perigosíssimo, que Trump ou os seus "conselheiros" decidiram tomar.

E com este "pequeno" passo é a própria essência da democracia americana que é posta em causa.

Se dúvidas houvesse, fica claro que Trump é um ditador, louco e ignorante, ainda por cima.

A minha esperança, que julgo ser partilhada por todos os democratas, é que a sociedade americana seja mais forte que as pulsões autocráticas de meia dúzia de tiranetes e que a "land of oportunities" prevaleça sobre todas as tentações totalitárias.

E se for necessário que os EUA mergulhem numa guerra civil, lamento mas para além de já ter acontecido no passado, antes isso que os EUA a mergulharem o mundo numa guerra de destruição total.

Valha-nos a coragem de algumas personalidades dos vários ramos artísticos que não se têm coibido de saltar para a primeira linha do combate, conscientes de que após as limitações ao direito de informar vêm sempre, inevitavelmente, a censura e as limitações ao direito de criar e de se exprimir.

 

E já agora não queria deixar de assinalar a forma discreta e envergonhada como alguns "jornaleiros" de alguns pasquins do nosso país, admiradores confessos ou envergonhados do Trumpismo se têm referido a este"episódio", tendo-o mesmo ignorado olimpicamente alguns. Deviam envergonhar-se!

 

O PRÉ-CONCEITO

por bolinando, em 21.12.16

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O recente atentado em Berlim veio mais uma vez pôr a nu a forma encapotada (e às vezes nem isso) como certos media nos vão intoxicando e alimentando os medos colectivos e individuais contra "o estrangeiro", "o imigrante" e sobretudo "o refugiado".

Pouco tempo depois do acto, cobarde como todos os atentados terroristas, já os media revelavam que o o autor em fuga era um paquistanês (sempre "o estrangeiro") refugiado (sempre "o refugiado") há alguns meses na Alemanha. 

Felizmente foi a polícia e não algum "Vómito da Manha" alemão a encontrá-lo, pois corria o sério risco de ser linchado.

Só que... afinal parece que o único "crime" do homem era ser "estrangeiro" e "refugiado" e provou-se nada ter a ver com o atentado, pelo que foi mandado em liberdade.

Afinal o terrorista em fuga será um tunisino já referenciado como ligado a movimentos jihadistas.

Mas dos media esta nova notícia não provocou qualquer pedido de desculpa, ou rectificação formal. 

E como o injustamente acusado é um "estrangeiro refugiado", e afinal o putativo culpado também é um "estrangeiro", apesar de não "refugiado", não consideram que se tenha tratado de uma informação incorrecta mas sim talvez de um simples "dano colateral". E como na fábula do lobo e do cordeiro, "se não foi ele, foi o pai dele".

 

 

O ÚLTIMO ACTO

por bolinando, em 17.12.16

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A notícia, apesar de não totalmente inesperada, apanhou-nos de surpresa: O Teatro da Cornucópia ia fechar. Desde a "reforma" por razões de saúde de Luís Miguel Cintra que se sentia que a Cornucópia estava a viver o seu último acto. Nada de espantar, num país onde os "êxitos" pisam sempre outros palcos que não os desta arte.

Gil Vicente, se vivesse nos nossos dias, há muito que teria mudado de vida, a não ser que se dedicasse a "superproduções" à nossa parola dimensão, num estilo laferiano tão ao gosto do nosso público a quem essas pretensamente glamorosas produções ajudam a convencer que são burgueses e não meros pobres, mimados mas pobres.

Nada de admirar num país como o nosso, onde a expressão artística, nomeadamente o teatro, é tão maltratada no processo educativo.

Nada de inesperado, num país onde os grupos de teatro amador quase desapareceram e onde tantos e tantos potenciais artistas se perdem em "cenas" e "actuações" da nossa triste vida real, sem nunca serem descobertos e dirigidos.

Nada a referir num país onde as únicas encenações destinadas a temporadas de êxito, com reposições sucessivas são as encenações políticas.

A única coisa que verdadeiramente me espanta é o tom surpreendido, com um misto de espanto e revolta, mas sempre condoído, com que os media se têm, hipocritamente, referido a este desaparecimento.

Como se os media não fossem cúmplices de mais este crime contra a cultura, esses mesmos media que se têm empenhado em impingir-nos que cultura são os talk-shows, quanto mais escabrosos e mentalmente indigentes melhor, que expressão artística é pôr umas dezenas de candidatos a macaquearem temas de outros, e que produto cultural é encerrar uma dúzia de mentecaptos num Rilhafoles pejado de câmaras e dar ao público de papalvos a ideia de que pode decidir o seu futuro, como o público dos circos romanos podia decidir sobre a vida ou a morte dos gladiadores derrotados.

Apetece-me aplicar a estes media o título de um dos grandes êxitos da Cornucópia: "E não se pode exterminá-los?".

Mas atenção, porque todos temos responsabilidades neste desaparecimento. 

Que cada um se pergunte há quanto tempo não vai ao teatro.

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