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Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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O ÚLTIMO ACTO

por bolinando, em 17.12.16

Resultado de imagem para teatro da cornucópia

A notícia, apesar de não totalmente inesperada, apanhou-nos de surpresa: O Teatro da Cornucópia ia fechar. Desde a "reforma" por razões de saúde de Luís Miguel Cintra que se sentia que a Cornucópia estava a viver o seu último acto. Nada de espantar, num país onde os "êxitos" pisam sempre outros palcos que não os desta arte.

Gil Vicente, se vivesse nos nossos dias, há muito que teria mudado de vida, a não ser que se dedicasse a "superproduções" à nossa parola dimensão, num estilo laferiano tão ao gosto do nosso público a quem essas pretensamente glamorosas produções ajudam a convencer que são burgueses e não meros pobres, mimados mas pobres.

Nada de admirar num país como o nosso, onde a expressão artística, nomeadamente o teatro, é tão maltratada no processo educativo.

Nada de inesperado, num país onde os grupos de teatro amador quase desapareceram e onde tantos e tantos potenciais artistas se perdem em "cenas" e "actuações" da nossa triste vida real, sem nunca serem descobertos e dirigidos.

Nada a referir num país onde as únicas encenações destinadas a temporadas de êxito, com reposições sucessivas são as encenações políticas.

A única coisa que verdadeiramente me espanta é o tom surpreendido, com um misto de espanto e revolta, mas sempre condoído, com que os media se têm, hipocritamente, referido a este desaparecimento.

Como se os media não fossem cúmplices de mais este crime contra a cultura, esses mesmos media que se têm empenhado em impingir-nos que cultura são os talk-shows, quanto mais escabrosos e mentalmente indigentes melhor, que expressão artística é pôr umas dezenas de candidatos a macaquearem temas de outros, e que produto cultural é encerrar uma dúzia de mentecaptos num Rilhafoles pejado de câmaras e dar ao público de papalvos a ideia de que pode decidir o seu futuro, como o público dos circos romanos podia decidir sobre a vida ou a morte dos gladiadores derrotados.

Apetece-me aplicar a estes media o título de um dos grandes êxitos da Cornucópia: "E não se pode exterminá-los?".

Mas atenção, porque todos temos responsabilidades neste desaparecimento. 

Que cada um se pergunte há quanto tempo não vai ao teatro.

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