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À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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O PALUDISMO MATA!

por bolinando, em 28.12.16

 

 

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O recente falecimento de um jovem tripulante da TAP, vítima de paludismo cerebral vem, por um lado, fazer despertar as nossas consciências para uma doença que, felizmente para nós, foi há vários anos erradicada do nosso país (a última zona onde subsistiu foi nos arrozais de Alcácer do Sal) mas que continua a fazer parte do quotidiano trágico de milhões e milhões de pessoas, sobretudo em África e na Ásia. 

Não vou expor aqui o que julgo serem as responsabilidades da entidade empregadora, neste caso a TAP, por uma incorrecta ou pelo menos insuficiente avaliação de riscos e pela escassez de medidas preventivas. Sobre isso pronunciei-me num grupo (Segurança e Saúde no Trabalho) do Facebook.

Mas deixei para aqui as preocupações já não com a dimensão ocupacional do problema mas sim com as suas repercussões no comum dos cidadãos, nomeadamente na vertente do lazer.

Viajar tornou-se hoje uma actividade muito mais comum do que o foi para os nossos pais e avós. E cada vez mais escolhemos destinos "exóticos" fora do nosso Velho Continente, muitos dos quais em zonas onde a malária longe de estar extinta antes apresenta um carácter endémico.

E muitos de nós limita-se a fazer uma consulta do viajante e quando muito a fazer a profilaxia recomendada (muitas vezes sem respeito de quantidades e prazos, o que frequentemente anula os seus efeitos). Ora isso é insuficiente, sendo necessário tomar outras medidas preventivas, como o uso de repelentes cutâneos, repelentes de queima ou spray, insecticídas nos alojamentos quando estamos ausentes, roupas adequadas (deixando a menor quantidade de pele exposta), sobretudo à hora de maior actividade do mosquito portador do parasita e evitando as zonas de águas paradas.

Mas isso por vezes não chega e lá somos picados e contaminados. 

Mas não o sabemos desde logo. Os sintomas da doença apenas começam a manifestar-se entre 10 dias a 3 semanas após a picada que nos infectou. Nesse espaço de tempo os parasitas alojaram-se no fígado, onde "amadureceram" e se desenvolveram antes de serem de novo lançados na circulação sanguínea onde irão infectar os glóbulos vermelhos. E só então começamos a sentir os sintomas.

Ora acontece que esses sintomas podem ser muito semelhantes a uma gripe ou a uma das frequentes "viroses" que nos vão afectando. Acresce que, devido ao longo tempo de incubação, muitas vezes não associamos os sintomas àquela viagem maravilhosa de onde regressámos há quase um mês. E os nossos médicos de família não sabem por onde andámos e nem lhes passa pela cabeça pedirem uma análise à malária, por ela estar erradicada no nosso país.

Compete-nos, a nós, informar o médico no caso de termos efectuado uma viagem para um desses destinos no último ano (apesar de raros há casos registados em que os sintomas só se manifestaram meses após a infecção). E sobretudo não desvalorizar a doença. Na maior parte dos casos as consequência, como os sintomas, não ultrapassam os da vulgar gripe. Mas casos há em que se podem desenvolver meningites e até encefalites (paludismo cerebral), frequentemente mortais.

E eu não estou a falar de cor. sei o que é o paludismo porque contraí-o na Guiné e experimentei os seus sintomas e consequências. E tive uma segunda crise semanas após regressar de outra viagem a África e precisei de insistir com o médico do hospital para que me fosse feita a análise que comprovou ser um caso de paludismo.

E deixemo-nos de olhar para a malária como uma doença que dizima aos milhares as populações subnutridas de países pobres. Não. A malária mata sem distinção de idade, cor da pele e estatuto social. Se o nosso egoísmo não nos permitir outra atitude então pelo menos empenhemo-nos na erradicação da malária, pela nossa saúde!

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