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Blogaridades

À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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O MEU MENINO É D'OIRO. SÓ???

por bolinando, em 25.12.16

Cada vez me sinto mais confuso em relação ao que comemoramos a 25 de Dezembro.Para os cristãos, julgo que deveríamos comemorar o nascimento de um menino, filho de Deus, nascido para os homens e sacrificado pelos homens. Nesse sentido a 25 de Dezembro comemoramos a data do nascimento, a chegada de um novo membro à família, uma família pobre e perseguida. Ainda segundo a tradição (e doutrina) cristã, alguns dias mais tarde esse Menino Deus foi visitado pelos Reis Magos que lhe trouxeram oferendas. Assim nasceu a  comemoração do Dia de Reis onde tradicionalmente se ofereceriam presentes às crianças. E só às crianças pois não consta que os Reis Magos levassem prendas para José e Maria ou quaisquer outros figurantes.

Foi essa a tradição que vigorou quase em exclusividade em Espanha até aos dias de hoje. O 25 de Dezembro é o dia da família, começado ou antecedido pela ida da família reunida à Missa do Galo. A tradição consiste num jantar ou ceia em família, em que a tónica é a reunião familiar em torno da mesa, transformada de certa forma num altar familiar. E nesta data as prendas estão  ausentes ou ocupam um lugar meramente marginal. É depois, no Dia de Reis, a 6 de Janeiro que se procede à oferta de prendas, simbolizando as dos Reis Magos. 

E, na minha modesta opinião, assim deveria ser.

Em Portugal há muito que deixou de o ser. A pressão consumista, aliada ao esquecimento (ou quase encobrimento) da tradição religiosa que está na raiz desta data, transformou os dias que antecedem o Natal e o próprio dia num frenesim de compras, numa espécie de "Black Friday" permanente em que os valores de solidariedade e amor subjacentes à mensagem original do Deus menino estão totalmente ausentes.

Que se lixem as crianças de Aleppo, tenho de ir ver aquela Playstation em promoção! Ao ver o menino emigrante afogado lembrei-me que era boa ideia comprar uma prancha de surf para o meu rosado rebento!

Enfim, o nosso menino deixa de ser de oiro na sua dimensão intrínseca e passa a ser de oiro como moeda de compra e venda.

Queixamo-nos de que vivemos uma crise. E nem percebemos que a pior crise que vivemos é a crise de valores. E não queremos ver que somos nós os principais responsáveis por essa crise. É que se à crise económica podemos atirar culpas à Lehman Brothers e afins, a crise de valores, essa, somos nós que a cavámos e alimentamos com os nossos comportamentos.

E o pior é que esta visão tacanha de uma sociedade em que o importante não é Ser mas sim Ter, continua a alastrar. E, por exemplo, em Espanha começam a surgir sinais de que a tradição pode estar a mudar, tal a pressão do consumismo desenfreado.

Em Portugal nem vale a pena falar. Desafio alguém a, nas iluminações de Natal de Lisboa (as que conheço), encontrar algum símbolo religioso que remetesse para a génese do dia e do que ele comemora.

Sinceramente acho que são sobretudo os que estão longe das famílias que ainda conseguem perceber a magia da data. Por exemplo, os militares em missão, ou os emigrantes. Esses o que desejam para o Natal é a reunião com os que lhes são queridos e as prendas que se lixem! Essa reunião é a maior prenda que podem receber. Na simplicidade de uma família que recebeu o novo membro num estábulo. Mas numa reunião em que as pessoas se amam e não por conveniências sociais. Nesta época, nos dias que correm, só a hipocrisia desbragada consegue ombrear com o consumismo desenfreado. 

E depois admirem-se de haver cada vez mais gente a não gostar da época, a pedir para hibernar por volta de dia 20 e só despertar lá para 7 de Janeiro!

 

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