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À Bolina Pela Vida... Irónico contra os ventos surumbáticos, sério contra os ventos irresponsáveis, iconoclástico contra os ventos dogmáticos, e politicamente incorrecto sejam quais forem os ventos...

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ESTA ESTRADA NÃO É PARA VELHOS!

por bolinando, em 11.12.16

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Espero sinceramente que a medida agora anunciada e que obriga todos os cidadãos que queiram renovar a sua carta de condução aos 65 anos a realizar uma formação obrigatória não passe de um fogacho sem consequências práticas, fruto do "excesso de zelo" de algum funcionário mais atento e venerando.

Porque se assim não for, estaremos perante uma medida absolutamente discriminatória e que, em minha opinião, pode mesmo estar ferida de inconstitucionalidade. Ferida de estupidez e preconceito, está de certeza. E provavelmente também de tráfico (nesta caso talvez mais tráfego) de influências.

Vejamos: A que se deve esta medida? Está fundamentada em que bases científicas e em que dados estatísticos? Não conheço nenhuma estatística rodoviária que atribua ao grupo etário de + de 65 anos um índice de sinistralidade superior à média. Se assim fosse, poderia talvez estar justificada a medida mas, repito, a estatística desmente-o. Aliás todos quantos andamos na estrada sabemos que não são os condutores com mais de 65 anos que vão fazer corridas clandestinas na ponte Vasco da Gama e noutros locais, nem são eles que protagonizam os "picanços" que todos os dias vemos. As estatísticas também provam que não é entre os condutores de + de 65 anos que se encontram  os mais elevados índices de condução sob o efeito do álcool (e muito menos de drogas). De vez em quando lá há um que entra em contra-mão numa auto-estrada mas são casos esporádicos cujo volume não justifica a medida. (e também não percebo em que é que a formação impediria que isso acontecesse).

Acresce que hoje a idade da reforma já está estabelecida para os 66 anos e 3 meses (e sempre a subir). E para continuar a trabalhar não é necessária nenhuma formação acrescida (talvez porque essa teria de ser suportada pela entidade empregadora ou pelo Estado). Pode continuar-se a trabalhar (mesmo a operar e conduzir máquinas dentro da empresa ou estaleiro) mas não pode continuar-se a conduzir... sem essa tal formação que aposto que não será gratuita, deverá ser suportada pelo cidadão condutor e será adjudicada aos lobbies do costume, sendo que o Estado também irá arrecadar, quanto mais não seja os 23% do IVA da prestação do serviço, mas provavelmente mais alguma taxa pela emissão do comprovativo dessa formação.

E o cocktail começa a ser explosivo: Preconceito, discriminação, extorsão. 

Mas há mais. A Directiva Serviços, emanada pela Comissão Europeia, isentou de renovação os certificados de aptidão profissional para o exercício de profissões liberais. Ou seja, eu posso ser formador, ou técnico superior de muitas coisas, mesmo a cair do tripé e todo tolhidinho pelos bicos de papagaio. Podem pôr em causa a minha capacidade física mas não os meus conhecimentos. Ora na carta de condução a capacidade física já tem de ser provada em cada acto de renovação. O que agora é posto em causa não é essa capacidade física, mas sim os conhecimentos e competências. Mais uma vez não são os condutores mais faltosos, com mais multas, etc, a serem postos em causa mas sim os que cometem o horrível, hediondo, crime de terem 65 anos!

A geração dos que têm hoje quase 65 ou mais anos cometeram de facto um crime. O de não terem sido capazes de educar e transmitir valores sociais à geração de "jovens" que estão hoje no poder e que tratam os idosos com tal desrespeito, preconceito e calculismo. Sim, calculismo, porque a principal razão para manter as pessoas a trabalhar até aos 70 e mais anos daqui a algum tempo, tem pouco que ver com o aproveitamento da sua experiência, ou com solução de problemas do mercado de emprego, bem pelo contrário, já que por cada idoso mantido a trabalhar, há um jovem que não arranja emprego. A razão é muito mais calculista e hipócrita. É que os idosos devem ter salários mais elevados e, por isso, descontam mais em impostos. Assim se passou do cidadão para o contribuinte. Há que trabalhar até muito tarde, para "contribuir" muito e depois... que se lixe. Depois da reforma quanto mais cedo morrer melhor, pois menos penaliza a Segurança Social. E se possível que morra antes de gastar o que amealhou (os que conseguiram amealhar alguma coisa) enquanto trabalhou, para os seus herdeiros pagarem um imposto sucessório maior.

E enquanto vivos, toca de os espremer até ao tutano, com "invenções" como esta pseudo-formação.

Esta estrada não é para velhos e este Estado também não.

 

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