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DO FESTIVAL À CANÇÃO...

por bolinando, em 25.02.17

Nos últimos dias fui surpreendido por uma polémica envolvendo o Festival da Canção e uma canção interpretada pelo Salvador Sobral (uma bela canção, em meu entender). Mas fiquei sobretudo surpreendido porque nem sabia que ainda existia essa "coisa" a que chamam Festival da Canção. 

Nem sempre foi assim. Pelo Festival da Canção passaram algumas das mais belas canções que já foram escritas em português. Tantas que nem as irei aqui nomear.

Mas em 1979 veio o ponto de viragem e a partir desse ano nunca mais quis saber da sua existência.

Nesse ano havia uma canção que se distinguia claramente das demais. Por várias razões. Não apenas pela parte musical mas também pela letra, muito ousada para a época, tão ousada que algumas estações de rádio proibiram aos seus profissionais que a tocassem na sua programação.

Estou a referir-me, claro, ao tema "Eu só quero", interpretado pela Gabriela Schaaf, que aqui deixo.

A vitória foi atribuída a uma tontice que dava pelo nome de "Sobe, sobe, Balão sobe".

Como dizia um quadro de uma velha Revista à portuguesa, foi um género de "Ó patego, olha o balão!".

"Eu só quero" era de longe a melhor composição a concurso. Mas violava alguns dos cânones  do que se pretendia que voltasse a ser a cultura dita popular: simplezinha, limpinha, comercialzinha, formatadazinha, sem dar que pensar e firmemente respeitadora da moral e dos costumes, admitindo-se que fosse brejeira mas nunca sensual.

E "Eu só quero" não encaixava nesse perfil.

Iniciava-se a "festivalização" da canção nacional a que bacocamente até se exigia que tivesse um "embrulho" internacional, tipo gola de seda num vestido de chita.

Gabriela foi hoje convidada do Hotel Babilónia, esse grande programa do João Gobern e do Pedro Rolo Duarte. E foi isso que me despertou estas memórias de há quase 40 anos.

Curiosamente, nesse mesma edição do Festival a canção que acabou por ficar em 3º lugar, "Uma Canção Comercial", interpretada pelo grupo SARL, composto por Pedro Osório, Samuel e Carlos Alberto Moniz, que também aqui deixo, denunciava abertamente a situação, premonitoriamente.

Daí para a frente sucederam-se Doces e afins,

Para mim, "Eu só quero" fica como um dos últimos grandes temas a passar pelo festivaleiro evento.

Por isso ficarei muito admirado se "Amar Pelos Dois" vencer o Festival. É bonita demais para isso.

Mas lá que "eu só quero","eu só quero"!

 

 

 

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